Iluminamos – O Clube dos Cinco, por Joel Junior

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“Todos nós somos bem bizarros. Alguns de nós apenas são melhores escondendo, só isso.” Essa frase é a síntese perfeita do que seria o filme Breakfast Club, filme que será resenhado neste mesmo post.  O filme chamado de Clube dos cinco aqui no Brasil é um drama estadunidense de John Hughes, lançado no ano de 1985.  O filme, que desenvolve as diferentes características adolescentes e o constante conflito de personalidade, é hoje tido como um clássico cult e remonta muitos aspectos inesquecíveis da juventude daquela geração.

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O filme retrata o decorrer de um sábado à tarde, numa detenção na Shermer High School, em Illinois, no ano de 1984.  Os alunos se encontram sob a supervisão do diretor Richard Vernon que exige que cada um deles escreva um texto de 1.000 palavras sobre o que eles pensam uns dos outros, deixando-os ali pelas próximas oito horas. Os cinco estudantes são de grupos sociais diferentes e, apesar de se conhecerem, não se permitem manter amizade ou até mesmo algum tipo de relação. Os personagens são tipicamente adolescentes: John Bender, o bad-boy mal encarado e problemático, Brian Johnson, um estudante exemplar caracterizado como nerd, Andrew Clark, atleta do time de Wrestling da escola, Claire Standish, a menina rica (porque eu sou RICAH!!!!) e popular e Allison Reynolds, uma adolescente problemática e quieta.

As diferenças físicas e comportamentais dos jovens estudantes ficam visíveis logo no começo do filme. Rapidamente, surgem problemas e discussões internas, além dos pré-julgamentos constantes que são feitos quase que de forma instantânea. Piadas, ameaças e os contrastes das naturezas da detenção de cada um logo afloram e, pouco a pouco dão espaço às questões mais pessoais dos personagens. No entanto, no decorrer do filme, o sectarismo de cada um dos adolescentes vai se quebrando lentamente, e nuances de semelhança dos jovens vão se mostrando cada vez mais fortes.

As relações tempestuosas com os pais – que são problemáticos, violentos e autoritários – até os conflitos pessoais e a necessidade de tomarem atitudes para serem aceitos. Cada vez mais percebem que, mesmo sendo de grupos e hábitos diferentes, os cinco estudantes são marcados pelas suas atitudes, seu medo de serem rejeitados e seu temor em se tornar iguais aos pais. O que era para ser uma tortuosa tarde de detenção, acaba se tornando uma pequena terapia, uma relação de compreensão e sinceridade num ambiente em que não há necessidade de grupos.

As relações que surgem naquela sala – paixões e amizades tornam-se um dilema na cabeça dos alunos, pois não se sabe o que vai acontecer após a detenção. A ideia de que seriam amigos mesmo amedronta-os, pois eles sabem que os outros colegas de classe não entenderiam e não aprovariam. Em consenso, Brian escreve a redação de 1000 linhas quase como uma carta, colocando de lado toda a diferença entre eles e assinando aquelas palavras como o Clube dos cinco.

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Há muito que eu queria ver esse filme, e eu não me decepcionei. A história retrata pontos atemporais, problemas da adolescência de qualquer pessoa que são expostos com muita clareza e sinceridade através de atores extremamente talentosos. A caricatura dos rótulos: o atleta, o brigão, o nerd, a popular e a esquisita também é feita meticulosamente e de maneira engenhosa. Numa época em que, mesmo que tentamos ser originais, acabamos sendo extremamente previsíveis. A centralização do seu grupo – todos ali se achavam melhor do que os outros, como se o seu clube fosse superior e único – também é trabalhada conforme cada um dos alunos se identifica com pessoas aparentemente tão diversas.

Tive a sensação de uma “lição de moral” enquanto assistia o filme. Nós nunca poderemos ser unilaterais em nada. A ideia de que cada um de nós possui diversas facetas, diversos personagens diferentes que atuam num mesmo ser humano me pareceu uma conclusão lógica, talvez a mesma conclusão que o tão falado Pierre Bourdieu apregoa aos sete ventos. Todos nós somos um pouco de muita coisa, e talvez seja esse o ingrediente que nos torne especiais de alguma maneira.

Mesmo sem ser um grande entendedor de cinema, acredito que seja claro o porquê de The Breakfast Club ser um filme tão bem sucedido. Poucas obras caracterizam uma geração, tratando de temas tão complicados como problemas familiares e tematizando a aceitação social de maneira tão impressionante. A identificação dos atores com os personagens também acaba contribuindo – jovens que tiveram a liberdade de transformar seus personagens, criando caricaturas com atitudes e frases que trouxessem a identificação imediata do publico jovem. O filme tem quase 20 anos, mas parece que foi hoje que gravaram.

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 Curiosidades:

 1 – John Hughes, diretor do filme, faz uma pequena ponta em uma cena. No final, quando Brian Johnson é buscado, é ele quem interpreta o pai de Brian que está ao volante.

2 – Os papeis originais não eram os que estavam no filme. Na verdade Molly Ringwald (Claire) interpretaria o papel de Allison enquanto Emilio Estevez (Andrew) seria John Bender.

3 – Os atores literalmente entraram na vida dos personagens, visitando escolas disfarçados enquanto compunham seus personagens.

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Caro Sr. Vernon,

Aceitamos ficar um sábado inteiro na detenção pelo o que nós fizemos de errado, mas achamos uma besteira o senhor mandar a gente escrever um texto sobre nós mesmos. Você nos enxerga como você deseja nos enxergar. Em termos mais simples e com as definições mais convenientes.

Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso. Isso responde a sua pergunta?

Atenciosamente, Clube dos Cinco.

Joel Junior

Colaborador não é uma pessoa, mas uma ideia. Expandindo essa ideia, expandimos o domínio nerd por todo o cosmos. O Colaborador é a figura máxima dos Iluminerds - é o novo membro (ui) que poderá se juntar nalgum dia... Ou quando os aliens pararem com essa zoeira de decorar plantações ou quando o Obama soltar o vírus zumbi no mundo...