Por que amamos o Homem-Aranha?

Neste mês de julho de 2017 fomos agraciados com mais um filme do “Cabeça de Teia”, desta vez, coexistindo com todos os personagens do MCU. Sabemos que o Homem-Aranha é a escolha de herói favorito dentre muitos por aí, mas, já parou pra pensar no porquê disso? Existem muitas variáveis para responder tal pergunta.

Podemos considerar que ele foi criado para atingir um público mais adolescente, numa época em que todos os heróis assemelhavam-se com adultos. A partir de então, ao invés de ler sobre heróis mais velhos, o leitor agora se identificaria com um super-herói que fosse da sua faixa etária. Também, que o personagem tem como marca registrada o bom-humor mesmo nas horas mais difíceis, mas que no final das contas são piadas que servem para mascarar o seu nervosismo diante dos problemas diários, e vilões que enfrenta, dentre tantos outros motivos.

Mas talvez a principal razão de tanto apreço pelo personagem seja que ele não chama a atenção por seus superpoderes, apesar de ser um herói consideravelmente forte. Ele possui o starter pack de quase todo herói Marvel: Super força, super agilidade e até uma resistência física além da capacidade humana. Pode também escalar paredes, prever ataques inimigos com seu Sentido de Aranha e tem um equipamento de lançar teias como cereja do bolo. Mas sejamos sinceros, existe alguém que é realmente fã do Spidey por isso?

Existem heróis que chamam muito a atenção devido aos seus poderes. Quem não gostaria de ter um Anel do Poder igual ao dos Lanternas Verdes? Mas quando falamos do Teioso, o que realmente cria um laço com os leitores é a pessoa por trás do uniforme de Homem-Aranha. Um adolescente que está longe de ter uma vida bem-sucedida como um Tony Stark, que enfrenta problemas tão mundanos como a perda do tio num assalto, as dificuldades em conseguir um emprego para pagar suas contas, e claro, seus altos e baixos na vida amorosa.

Quem nunca se pegou refletindo sobre problemas pessoais ao ver Peter Parker enfrentando situações similares nas suas histórias? O fato de termos um super-humano tropeçando em barreiras que qualquer leitor pode se identificar o torna quase um amigo com quem você pode compartilhar os mesmos problemas, ao invés de apenas um ser fantástico e intocável devido aos seus poderes.

Para ilustrar todo o texto acima, que tal abordarmos brevemente alguns dos momentos mais emocionantes na vida do Escalador de Paredes?

O Menino que Colecionava Homem-Aranha

Um jovem garoto de nove anos de idade chamado Tim Harrison encontra-se em sua cama. Ele é surpreendido ao perceber que o Homem-Aranha está pendurado no teto do seu quarto, dizendo que quer muito conversar com Tim.

O Herói diz que veio à procura do garoto após ler um artigo no Clarim Diário sobre o maior fã do Homem-Aranha, Tim Harrison. O menino mostra toda a coleção para seu ídolo.

Num bate-papo bem amigável, o Cabeça de Teia conta tudo sobre sua história ao garoto, de como conseguiu seus poderes e de como eles já o trouxeram tantos problemas. Quando o Aranha se despede de Tim e está quase saindo pela janela, ouve-se um último pedido: O garoto quer saber a identidade secreta do Homem-Aranha!

O Herói retorna, explica os perigos caso alguém mais fique sabendo de seu segredo, mas revela que na verdade ele é Peter Parker. Tim promete que enquanto viver, jamais contará o segredo do Homem-Aranha para ninguém.

Eles se despedem, e ao sair do quarto de Tim, o Homem-Aranha passa pelo muro em torno do local onde o garoto estava, e uma placa indica que ali é o Hospital do Câncer. A mensagem final da história, um recorte do jornal que Peter Parker leu e o levou até Tim, diz que o garoto tem leucemia e que os médicos só lhe dão algumas semanas de vida.

Leah

Leah é outra história curta, de uma garotinha moradora de rua. Ela se abriga numa caixa de papelão cheia de recortes do Homem-Aranha, e após ver seu ídolo combatendo o crime perto dela, deita para dormir e sonhar seu último sonho.

Neste sonho a garota viaja feliz da vida cidade adentro nas costas do Aranha, que está acompanhado de outros vingadores, o Homem de Ferro e Thor.

A cena corta para Leah deitada numa cama de hospital, dormindo. Enquanto isso o Homem-Aranha e uma médica conversam sobre a garota. A médica explica que o fígado e os rins de Leah falharam e que não se pode fazer nada além de deixá-la confortável e esperar pelo fim.

O Aranha tenta se culpar por nunca ter notado a garota antes e ter ajudado, ao passo que é acalmado pela Dra. que explica que nem o Homem-Aranha pode estar em todos os lugares.

O Herói dá um beijo na bochecha de Leah, lhe desejando bons sonhos. A história termina com um belo pôr do sol, onde Leah e diversos heróis estão voando livremente em paz.

 

Estas duas histórias ilustram o status quo do Homem-Aranha, um super-humano ensinando que para ser herói não são necessários superpoderes. O verdadeiro heroísmo pode estar em pequenas atitudes!

Eu sou o caos, senhor Kurtz, caos! E o resto do mundo não irá admitir que é exatamente como eu.       "Listen all you fools. Don't you know that Carnage rules?"
  • Diogo Morais Moura

    Belo texto! É exatamente isso que me fez gostar do Aranha quando era pequeno, para ser um herói os poderes são um mero detalhe, o que vale é o caráter!

    • Pixel Carnificina

      Valeu!! É isso ae. Com grandes poderes vêm grandes carnifici– responsabilidades.

  • Dá até medo um Carnificina falando bem de um Spiderman.
    Mas como já foi dito, bom texto, Carnificina.

    • Pixel Carnificina

      Faz parte dos meus planos pra destruir o Aranha fingir ser amigo dele… HAHAHAHA