Homem-Aranha: De volta ao lar | Crítica

Em 2015 surgiu a bomba do acordo em que a Sony compartilharia os direitos do “cabeça de teia” com a Marvel No ano seguinte, tivemos sua participação na Guerra Civil. Uns acharam o melhor Homem-Aranha e outros acharam a escalação do Tom Holland um pouco equivocada, tendo em vista sua idade e seu recente reboot com Andrew Garfield. O tempo passou, o filme está aí e será que ele é tudo isso ou era muito hype para pouco filme?

Crítica Livre de Spoilers, leia sem peso no coração.

Os produtores entendem que você viu Guerra Civil e logo no início do longa há um filme feito pelo Peter, documentando o fatídico confronto que não mudou quase nada no MCU. A partir daí, ele funciona no seu próprio mundo, mesmo tendo o Stark como um elemento externo. Como muitos estavam especulando, este não é um filme do Homem de Ferro. Stark aparece no máximo por 20 min em todo o filme, toda aparição é um ponto forte de fato,  mas isso não tira o brilho dos outros núcleos do filme.
Aqui vemos um Peter querendo se provar capaz de fazer mais missões com os vingadores e ele sempre é ignorado. Por sugestão do Stark, Peter começa a fazer missões pequenas e volta a ser o amigão da vizinhança e daí a história se desenvolve. Basicamente é isso e se eu continuar falando da trama em si eu posso revelar algo importante, então vamos seguindo.

O MCU carece até hoje de um vilão bom, se pararmos para analisar todos que tivemos desde o Homem de Ferro 1, chegaremos à conclusão de que o único vilão digno de nota é o Loki. Tivemos um Mandarim que nem era Madararim, tivemos um Caveira Vermelha genérico e agora temos o Abutre. Quando vi que o Michael Keaton foi escalado para interpretar o Abutre eu torci o nariz e pensei que seria mais um desperdício de ator, no decorrer do filme eu tive uma bela surpresa: ele é um vilão incrível. Ele tem uma história lógica, bem desenvolvida e com motivos palpáveis que você acaba entendendo e se apegando pelo personagem mesmo ele praticando o mal (o mesmo acontece com o tio Walter White de Breaking Bad, por exemplo). A armadura dele tem sentido e é bem amarrada com a trama, não é que nem aquela armadura de Power Ranger do Duende Verde e visualmente é muito bonita.

Aqui temos um Peter que não tenta ser a capa da Capricho, descoladão, que anda de skate e nem é aquele que tem uma carga dramática muito forte e que chora por tudo. Em outras palavras, ele consegue ser um Peter bom e com um potencial para ser melhor que Maguire (basta um desenvolvimento e amadurecimento do personagem) e um Aranha muito foda, melhor que os dois últimos Aranhas e com um potencial gigante. Todas as cenas de ação são boas com um ou outro problema de CGI, mas no final das contas funciona bem. O atual uniforme do Aranha deu um ar novo para o personagem. O uniforme é o mesmo do filme anterior, mas os elementos dele são aprofundados.  Há vários tipos de teia, um drone que sai do peito dele, até um para-quedas e uma inteligência virtual alá Jarvis. Toda essa maluquice fica orgânica e adiciona muito ao personagem.

O elenco de apoio do filme é muito bom e com uma diversidade muito grande, em todos os filmes todas as pessoas que cercavam o Peter eram brancas, lindas e ricas. Aqui já é bem diferente e chega mais perto da realidade lá do Queens. Um ou outro personagem fica forçado no filme e isso não é culpa do personagem e sim do roteiro. Há momentos com piadas desnecessárias e muito longas e o filme ficaria mais engraçado sem elas.

Todos esses aspectos fazem de Homem-Aranha: De volta ao Lar um filme diferente dos demais filmes do MCU e traz você para mais perto por abordar assuntos próximos a sua realidade. Aqui não temos alienígenas invadindo Nova York, temos um herói salvando uma senhora na rua e ganhando um churros e vemos um herói tendo que lidar com suas próprias decisões. Mostrar como as pessoas estão reagindo a uma situação te insere mais ainda dentro do filme, como é na cena da barca e este é o maior trunfo do filme. Ele é humano onde todos os outros filmes fracassaram ou esqueceram. Não é um filme perfeito e nem é um filme ruim, mas com toda certeza é um dos melhores do Cabeça de Teia.

J. Quill
Escrevendo sobre tudo aquilo que o mundo precisa ~ou não~ saber.