Felipe Folgosi: do cinema aos quadrinhos

   Felipe Folgosi

 

Costumo sempre frequentar inúmeras feiras literárias e de quadrinhos envolvidos com o universo nerd, pois é assim que divulgo o meu trabalho. Foi assim que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o talentoso Felipe Folgosi, que hoje também se dedica a divulgar a sua Graphic Novel Aurora.

Aurora é um thriller de ficção científica, e conta a história de um pescador que se defronta com um estranho fenômeno cósmico responsável por mudar sua vida completamente, ao deixar de ser o mero humano que costumava ser.

É interessante poder ouvir, de um artista consagrado, como é a experiência de sair das telinhas para poder se aventurar no universo nerd com uma obra de ficção. Quem vai às feiras de quadrinhos, certamente poderá em algum momento se deparar com o Felipe. E o mais legal de tudo: ele é muito simpático, acessível e gosta de conversar com os leitores.

Aqui está a entrevista na íntegra:

 

1- Você já escrevia roteiros para quadrinhos, cinema ou literatura antes de lançar a sua HQ Aurora? Conte-nos sua jornada no universo da escrita.

Comecei de brincadeira escrevendo fanzines na época de escola. Na adolescência li alguns manuais de roteiro e  comecei a escrever algumas peças de teatro e roteiros, mas realmente comecei a escrever com mais regularidade quando fiz faculdade de cinema. Nessa época colaborei com o extinto Jornal da Tarde, escrevendo para o caderno de cultura. Nessa época ganhei um prêmio do Ministério da Cultura com uma peça chamada “Um Outro Dia”. Isso foi um feedback positivo que me incentivou a continuar escrevendo. Depois morei dois anos fora, estudando cinema na UCLA e quando retornei ao Brasil em 2003 comecei a escrever longas metragens e o Aurora foi um desses roteiros.

HQ Aurora

2- Quando escreveu Aurora, chegou a pensar em adaptá-lo para o cinema? Por quê?

Como disse, o Aurora nasceu como roteiro de cinema que adaptei para quadrinho, fiz o caminho inverso. Mas claro que gostaria que ele fosse adaptado para outras mídias, dessa forma fecharia o “ciclo”.

 

3- Você pode nos contar como a viagem à Islândia em 2010 ofereceu repertório para criar o Aurora?

Sempre gostei muito de aurora boreal, e um dos motivos de ter ido até lá foi tentar ver in loco o fenômeno, mas quando viajei já tinha quase toda ideia do Aurora pronta, afinal comecei a colocar no papel em 2004 e fui pesquisando ao longo dos anos. Não quero dar spoilers, mas essa viagem me inspirou para a continuação do Aurora que terminei de escrever ano passado e espero começar a produzir ainda esse ano.

 

4- A sua viagem aos países Alemanha, Polônia, Russia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Áustria e Republica Tcheca o inspiraram a escrever outros roteiros para quadrinhos ou até mesmo para o cinema?

Já viajei para mais de quarenta países. Penso que viajar é uma excelente forma de adquirir cultura e expandir os horizontes então claro que sempre o que você viu e experienciou acaba entrando nos roteiros de uma forma ou outra, conscientemente ou não.

Tá aí a prova de que o Felipe é uma pessoa         acessível. Nesse dia, trocamos nossas                  obras Aurora e O Destino do Lobo.

 

5- Percebo que há em você, assim como em muitos autores de distopia, um ponto de vista mais sensível aos problemas sociais. Como é ser uma celebridade e expor esses pontos de vista nas redes?

Penso que vivemos um momento chave historicamente, que autores como Aldous Huxley e George Orwell previram em suas obras e que estão deixando de ser ficção, principalmente devido as inovações tecnológicas que podem mudar para sempre o ser humano. Movimentos como o transhumanismo, globalização, fim do dinheiro em espécie, trazem uma série de questões éticas e morais que devem ser discutidas pela sociedade e vejo que ainda muita gente não conhece nada a respeito. Querendo ou não, todos os cidadãos terão que lidar com essas escolhas e talvez o que eu possa contribuir é trazer esses assuntos à tona para que as pessoas comecem a prestar mais atenção ao que já está acontecendo.

 

6- Uma curiosidade: você pode nos contar sobre essa sua dedicação às pesquisas sobre a Nova Ordem Mundial? Quando começou o interesse e o que mais o atrai nesse assunto?

Comecei a estudar esses assuntos com mais profundidade em 2006, mas por ser cristão, já estudava escatologia bíblica fazia algum tempo, sem ainda ter juntado a ótica religiosa ou “profética”, com a histórica. Vemos que ideologias como o Marxismo também tem uma escatologia, um conceito do “Fim da História”, e por uma série de fatores, parece que estamos chegando perto desse ápice na história humana. A chegada da Singularidade através da Inteligência Artificial já foi vista como catastrófica por gente como Stephen Hawking e Elon Musk (que a comparou com invocar o demônio), a sociedade de vigilância em que vivemos  se aproxima cada vez mais de “1984”, e os movimentos políticos, apesar da recente saída do Reino Unido da União Européia, vemos que se dirigem ao fim dos estados nacionais e o aparecimento da famosa “Nova Ordem Mundial”, com um governo centralizado, uma moeda, uma língua oficial e um sistema religioso ecumênico. Para muitos essa seria a realização do sonho utópico da sociedade perfeita, para outros um sistema totalitário onde o conceito de indivíduo não mais existirá.

 

7- Soube que um dos seus próximos projetos é a HQ Comunhão. Você poderia contar um pouco para a gente do que se trata esse projeto?

É uma história de suspense com terror psicológico, sobre um time de corrida de aventura que se perde nas florestas brasileiras e seus membros literalmente tem que correr pelas próprias vidas, tudo com muita ação e algumas decapitações. Serão 134 páginas em preto e branco com arte do JB Bastos. A previsão de lançamento é Junho/Julho.

 

A imagem pode conter: desenho
Flávio Bezerra da Silva desenha uma das personagens da HQ Comunhão

 

8- Costuma ler quadrinhos e livros? Quais HQs e livros você mais gosta?

De HQs, já li de tudo, de Marvel e DC, passando por MAD e Asterix até Manara e Moebius, mas hoje em dia tenho lido mais autores nacionais. Gostei bastante da última história do Flávio Luiz e Lica de Souza, “Histórias Paulistanas”. Livros leio sempre, na maioria não-ficção. Mais recentemente gostei do “The Unseen Realm” do Michael Heiser.

 

9- Há previsão para lançar o volume 2 do Aurora ainda esse ano?

A previsão é começar a produção para lançar em 2018.

 

10- Qual a expectativa com a série Negócios de Família do Canal Universal? Pode contar um pouco como é interpretar o gerente do banco Diógenes e ainda administrar a carreira nos quadrinhos? 

Gostei muito de ter participado desse projeto, daqueles que você tem orgulho. A respostas das pessoas tem sido ótima, espero que o público descubra cada vez mais a série ao longo dos treze episódios. Foi divertido fazer um gerente, algo totalmente diferente de qualquer atividade profissional que já exerci até hoje. Para mim tem sido muito bacana conciliar as duas atividades, já que ambas são artísticas e me trazem uma enorme realização pessoal.

Felipe interpreta Diógenes na série Negócios de Família, do Canal Universal

Aqui estão as redes sociais para quem quiser acompanhar a jornada do Felipe.

Instagram: felipe_folgosi

Facebook: https://www.facebook.com/hqAurora/

Paola Giometti nasceu em São Paulo, Capital, em 1983. É graduada em Biologia, mestre e doutoranda em Ciências. Colaborou com a Revista Mundo dos Super-heróis na edição 57 com uma matéria sobre o papel da mulher nos quadrinhos. Em eventos sobre a cultura nerd, Paola é cosplayer da personagem Lara Croft, sua heroína nos games e hqs desde a infância. Publicou o livro O Destino do Lobo, primeiro volume da série Fábulas da Terra, além de ter participado das coletâneas literárias Xeque-mate, Horas Sombrias, Aquarela, Círculo do Medo, King Edgar Hotel, Legado de Sangue, Outrora e Sede, todas da Andross Editora. Paola não só participou com contos das coletâneas Outrora e Sede como também foi a organizadora dessas antologias.
  • Kamila

    Gostei da entrevista. Uma questão, como posso tirar dúvidas com alguém que entenda sobre a Nova Ordem Mundial. Trata-se apenas de política?