Entre a opinião e o discurso de ódio, quem dança é a liberdade de expressão

Tenho falado de forma recorrente, inclusive academicamente, sobre o fato de nossas interações e o nosso contexto serem digitalmente mediados. Isso significa que tudo que experimentamos em termos de relações sociais, está inserido em um contexto historicamente inédito, onde as mudanças tecnológicas se dão em uma velocidade tão grande, que é praticamente impossível conceber teorias e convenções que dêem conta de nos ajudar a interpretar a realidade.

Como assim? em função do impacto dessa mediação digital, mesmo quem não acessa as redes sociais e passa grande parte do tempo offline, é atingido pelos efeitos das interações online. Dessa forma, nossos disursos, que antes se restringiam a determinados ambientes e grupos, hoje têm um alcance que é literalmente impossível de se calcular, uma vez que a internet não nos possibilita o direito ao esquecimento, ou seja, ainda que determinado discurso não tenha grande visibilidade hoje, é possível que seja viralizado amanhã… Não há como saber.

Entre as implicações da propagação de nossos discursos online, mesmo que nós não tenhamos dito algo nas redes (alguém pode publicar de qualquer maneira e associar certas falas a qualquer pessoa), estão a propagação de discursos de ódio e a imposição de práticas violentas sob argumentos como “é minha opinião”, “é apenas uma brincadeira”, “estão me censurando”, “liberdade de expressão”…

Por isso, o CONAR – orgão que regulamenta a publicidade no Brasil, teve que se posicionar e lançar uma campanha com o intuito de chamar a atenção para o fato de que o discurso de ódio não é amparado pela liberdade de expressão (como eu já havia explicado aqui), até porque, liberdade de expressão NÃO É um direito absoluto, ou seja, praticamente TODAS as constituições dos países signatários de convencões internacionais, entre elas a dos Direitos Humanos, estabelecem sanções ou punições a quaisquer ações que comprometam a integridade de algum grupo, seja ela física, moral ou psicológica, por meio de manifestações que diminuam alguém em função de seu gênero, orientação sexual, credo ou cor.

Não sei se é possível ser mais didática que isso, porque essas informações estão disponíveis ao toque de um dedo, literalmente: a Primeira Emenda da constituição americana é a principal referência para nortear outras constituições de países considerados democráticos (O Brasil é considerado por muitos pensadores políticos um país em transição para uma democracia, em função da Ditadura Militar ser um evento relativamente recente em termos históricos) e grande parte dos conceitos referentes à liberdade de expressão, se pautam nela.

Por mais que muitas pessoas insistam no fato de que a Primeira Emenda da constituição americana preveja a proteção ao discurso de ódio, elas ignoram que ao longo dos anos VÁRIAS exceções foram adicionadas ao texto original, garantindo que em certos casos, a liberdade de expressão possa ser cerceada, minorizada ou passível de punição, dependendo da interpretação dos juristas envolvidos em cada caso. Entre as exceções estão: Incitação ao ódio ou à violência, obscenidade, pornografia infantil, discursos que incitem brigas ou a prática de violência como uma forma de perturbar a paz, como previsto em Chaplinsky v. New Hampshire (1942), entre outros

Quem de fato quiser entender um pouco mais sobre o assunto, pode procurar artigos nos anais do congresso internacional de comunicação (INTERCOM) onde há trabalhos, um meu, inclusive,  do maior grupo de pesquisa sobre o assunto do país. Os sites educacionais Coursera e EDX fornecem cursos bem extensos e gratuitos sobre liberdade de expressão, como o Freedom of Expression in the Age of Globalization, que traz exemplos de legislações e convenções internacionais, todas comentadas pelos maiores especialistas do mundo, ao longo de aulas e vídeos com duração de alguns meses (sim, fiz esse também).

Tudo isso para explicar, mais uma vez, que: liberdade de expressão é um conceito concebido em um contexto completamente diferente do nosso e que visava, entre outras coisas, garantir que os cidadãos tivessem o direito de expressar seus pensamentos de forma que sua articulação propiciasse a descoberta “da verdade”, entendendo como verdade, algo coletivamente positivo e que talvez nossos governantes não gostariam que soubéssemos. Em suma, é um direito que nos asseguraria a possibilidade de nos associármos em prol de um bem comum, tendo em vista que os pensadores e filósofos antigos acreditavam que pudéssemos tomar decisões pautadas puramente na razão (iluminismo) e sempre de forma a beneficiar a coletividade, por meio da expressão individual.

No entanto, com o advento da prensa (de Guthemberg, lembra?), a propagação de informação passou a se dar de forma mais rápida e com maior alcance. Por isso, com o desenvolvimento das relações de trabalho e das relações sociais, das políticas públicas, da educação, a imprensa passou a ser regulada por orgãos que visavam garantir o nosso direito à informação de forma mais imparcial possível, o que sabemos hoje, ser um pensamento utópico. Ainda assim, há uma distinção entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa, uma vez que a difusão de informação, no caso da imprensa, gera lucro, portanto, ela estaria sujeita a penalizações e sanções mais severas que os indivíduos.

Agora, lembremos que as redes sociais, embora nos passem a sensação de serem espaços restritos, como uma extensão de nossas salas, elas são na verdade, espaços onde nos pronunciamos de forma pública, mesmo nos grupos secretos. Considere que fazemos isso gratuitamente e sem retorno financeiro, ou seja, nossos discursos não geram lucro, certo? Pense novamente: todos os dados que fornecemos por meio de nossas interações nas redes sociais geram bancos de dados infinitos e que são negociados, vendidos, em troca de anúncios (pagos!) personalizados.

“Para equalizar e entender este fenômeno é preciso que pensemos de forma crítica, deixando de lado nossa fé quase que religiosa no Google e em sua benevolência corporativa e adotar um olhar mais cético. Uma forma de começar a perceber que não somos os clientes do Google, é entendendo o que somos realmente: seus produtos.” (A Googlelização do mundo é uma ficção… Será?)

Sendo assim, é possível pensar que as publicações em redes sociais estariam mais próximas do conceito dirigido à imprensa, não aos indivíduos. Porém, nem a liberdade de imprensa e nem a liberdade de expressão parecem dar conta das implicações de nossas interações online. Isso porque, ao menos no Brasil, onde o índice de analfabetismo funcional é certamente maior do que os 20% que indica o senso do IBGE entre os períodos de 2001-2009, existe uma difilculdade interpretativa no que tange ao discurso de ódio e liberdade de expressão, simplesmente porque o racismo, o machismo e a homofobia são problemas tão estruturais e enraizados, que é comum encontrarmos representantes de grupos minorizados defendendo e reproduzindo discursos violentos sob o argumento de que “se eu não me ofendi, então não é discurso de ódio”.

Essa dificuldade em separar o que é discurso de ódio do que é livre expressão de opinião é justificada na medida que não temos uma educação pautada no ensino de filosofia e pensamento crítico, mas é um problema que não se restringe ao Brasil: recentemente, um engenheiro da Google publicou um manifesto contra a diversidade de gênero onde explicava, por meio de afirmações pautadas na biologia, que mulheres e homens possuem constituições físicas diferentes (sim, isso é plausível, paupável, verificável) e que por isso, elas não estariam tão presentes em certos cargos e espaços.

Embora a fonte de onde tirou as informações seja válida, sua conclusão indica sérios problemas de interpretação dos dados analisados, além de demonstrar que se pauta em uma perspectiva parcial de um problema para chegar a uma conclusão que se pretende abrangente. Ao ignorar centenas de artigos e pesquisas que indicam que as diferenças físicas e biológicas não são significativas em relação ao desempenho no meio corporativo e que existem milhares de homens incompetentes em cargos de liderança, simplesmente porque as mulheres são preteridas em processos seletivos em função do gênero, o que ele fez foi contribuir para a perpetuação de estereótipos de gênero sabidamente nocivos para o desenvolvimento e a autoestima das mulheres. Nenhuma empresa é obrigada a compactuar com esse tipo de violência, da mesma forma que nenhuma empresa é obrigada a contratar alguém cujo discurso seja conflitante com sua missão. Vivemos em um mundo capitalista, certo?

Não bastando a polêmica em torno desse manifesto e da atitude da Google, Julian Assange (wealeaks) resolve agir como aquela loja de móveis da modelo seminua e dizer que contrataria o tal engenheiro, afirmando que censura é para os fracos e que a liberdade de expressão deve ser defendida. Ora, se nem mesmo o Assange consegue diferenciar um discurso de ódio de liberdade de expressão, talvez seja esperar demais que pessoas como “comediantes” racistas e seus fãs entendam o problema.

Mesmo o Conar, com sua atitude bem positiva ao tentar ser didático, acaba pecando na campanha ao sugerir que representatividade é uma questão de gosto, demonstrando que as pessoas por tras da campanha também não entendem que essa é uma questão que vem sendo discutida há bastante tempo. Ignorar esse debate é a prova de que grande parte das pessoas envolvidas na produção de mídia e conteúdo não está preocupada em participar de uma sociedade mais justa e igualitária, onde as pessoas não são julgadas por sua cor de pele, orientação sexual, gênero ou credo.

É um caminho bem longo e cansativo, mas se ao menos uma pessoa nos ouvir e questionar o que tem sido falado incessantemente, conseguindo então repensar suas próprias práticas, então já é uma pequena vitória. Há mais de 10 links nesse texto, portanto, é apenas muito desonesto seguir reproduzindo comportamentos problemtáticos alegando que discurso de ódio é quando não concordam comigo.

Para melhor compreensão de certos apontamentos, a análise de discurso, que é uma prática das áreas de Letras e Comunicação (sou graduada em Letras e faço mestrado em comunicação) e que se pauta na análise de marcas textuais para identificar determinadas tendências ideológicas ou significados, tem como principal objetivo a interpretação dos discursos que mais se aproxime da intenção de seus autores. Para isso, é preciso lançar mão de técnicas, estudos e indicadores que determinam certos significados a partir de sua ocorrência e contexto dentro desses discursos. Ou seja, quando especialistas afirmam que determinados discursos caracterizam discursos de ódio, tendo em mente que esses especialistas precisam agir de forma imparcial para assegurar o direito de todos à liberdade de expressão, é assinar um atestado de ignorância e má fé seguir refutando o óbvio.

Considerando advogados, juristas, psicólogos, linguístas, comunicólogos… que se dedicam durante anos a estudar tais temas, para que nossa convivência como sociedade seja possível, não cabe ao cidadão comum determinar o que é ou não discurso de ódio a menos que este esteja munido de um repertório que justifique acreditar em sua imparcialidade e justificativas. Em outras palavras: defender ideias como “liberdade de expressão é sobretudo direito de ofender”, “é discurso de ódio porque discordo de você”, “foi só uma brincadeira”, “é só minha opinião”, sem se apropriar de conteúdos que sustentem sua fala, só demonstra a necessidade de impor um discurso baseado puramente em convicção pessoal e isso não tem relação alguma com tudo que foi falado aqui. Se sua necessidade de impor sua convicção é mais importante do que o bem estar coletivo ou a integridade de terceiros, bom, você é o motivo de eu precisar continuar batendo nas mesmas teclas e repetindo a mesma coisa, até que eu não precise mais.

Vivemos em sociedade e buscar meios para que nossa convivência seja harmoniosa, sem que precisar ofender, agredir ou humilhar os outros é obrigação de todos nós. Sua também.

SAIBA MAIS:

Exceções à Primeira Emenda Americana

Da liberdade de expressão ao discurso de ódio: uma análise da adequação do entendimento jurisprudencial brasileiro à jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos

Análise do discurso

Liberdade de expressão ou discurso de ódio?

Precisamos falar sobre diversidade

GT Liberdade de expressão e mídias

Liberdade de Expressão frente às novas formas de recepção cultural

Mídia e diversidade

Mulher na mídia

 

Dani Marino
Dani Marino é pesquisadora de Quadrinhos, integrante do Observatório de Quadrinhos da ECA/USP e da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Formada em Letras, com habilitação Português/Inglês, atualmente cursa o Mestrado em Comunicação na Escola de Artes e Comunicação da USP. Também colabora com outros sites de cultura pop e quadrinhos como o Minas Nerds, Quadro-a-Quadro, entre outros.
  • Ramon Amoedo

    Texto bonitinho vindo de quem defende que todo homem é um estuprador em potencial

    • Diz o cara que como forma de comentário é a violência na acusação de algo que não está ligado ao texto…

      • Ramon Amoedo

        Violência na acusação hahahahaha cara, vai passear ou tomar os seus remédios. Já vi outras “opiniões ” dessa moça e de suas colegas (minasnerds por exemplo). Mas sério você não está bem ou é mais um dessas faculdades tipo ociologia que acham que aprenderam a ver coisas que não existem desde que colem com sua ideologia. O que foi que você alucinou? Violência patriarcal heteronormativa ou alguma outra coisa com nome pomposo?

        • Pô, coloca teu currículo aí… Diz aí há quantos anos vc estuda a temática abordada no artigo?

          • Tô esperando ainda o link pro Lattes…

          • Ramon Amoedo

            Rapaz, estudar anos de “ciência” social e nada é a mesma coisa. É só um monte de preconceitos com termos cults e nada mais. Faz algo útil e vai ler o caso Sokal e me diga se há realmente algo aproveitável nisso

          • Diz aí qual é o estudo ou livro em que vc baseou a premissa de “estudar anos de “ciência” social e nada é a mesma coisa. É só um monte de preconceitos com termos cults e nada mais”. Vc está baseando toda a reflexão em Ciências Sociais em somente um artigo?!

          • Ramon Amoedo

            Você confia em uma ciência que basta você escrever um monte de baboseira de propósito, desde que combine com a ideologia de quem recebe, e pronto! Tá publicado e aceito. Eu gosto de estudar coisas geradas por um método robusto e que não dependa dos gostos e preconceitos do ambiente acadêmico do momento. Você leu o que te mandei? Quantas baboseiras mais você engoliu nos seus anos de estudo em nada?Tá engraçado o que te mandei, dá até pra rir um pouco e se divertir no fim de semana.

          • Bwahahahahahahahahaha!!!! Defina “método robusto”… De onde sai o método robusto? Onde ele nasceu? Pra que ele serve?!

          • Ramon Amoedo

            Honestamente, a evidência tá na sua cara e você não quer ver. Realmente me sinto tentando convencer o papa que deus não existe.

          • Você sabe que está sendo desonesto ao não mostrar as fontes para as suas evidências? Sendo MUITO DESONESTO, menino…

          • Ramon Amoedo
          • Ramon Amoedo

            Já leu?

          • O artigo da Dani? Sim. “1984”? Sim. Simone de Beauvour? Sim. O relatório da ONU sobre violência contra mulher? Sim. Uma tese de doutorado sobre violência intrafamiliar (sim, é um termo que caiu em desuso)? Sim. O artigo que você mencionou depois? Sim.

            Fato é que David Hume não escreveu uma linha acerca da imagem do pênis. Isso é verdade. Porém, vários outros teóricos (não feministas, antes que você os acuse), já. Erros conceituais existem em todo lugar. Aliás, até mesmo a concepção de erros existe, sabia?

    • Daniela

      Ramon, só posso agradecer a visita e esperar que melhore sua interpretação de texto. Como professora de português, revisora de textos, professora de redação, pesquisadora…. sugiro que se aprofunde da etimologia e significado da palavra “potencial”.
      Enquanto sua preocupação é com a generalização, a minha é com integridade física, terror que você não precisa sentir porque tem o privilégio de poder se preocupar com generalizações.
      Espero um dia alcancar o mesmo nível de privilégio que vc tem e poder passar meu tempo dando chilique porque fui generalizada. Até lá, preciso me preocupar em não ser morta e estuprada mesmo. 😉
      “Potencial é um termo que abrange várias acepções. Enquanto qualificativo, pode referir-se àquilo que pertence ou que diz respeito a potência, que pode existir, que é possível embora ainda não tenha sido concretizado, que esteja em estado inacabado, ou que tem a virtude de outras coisas.”

      • Ramon Amoedo

        Isso é apenas duplipensar. Negros estão estatisticamente mais envolvidos na criminalidade (por questões sociais, marginalização) então é bom pensar que é melhor atravessar a rua quando vejo um? Você talvez pensaria assim, mas eu prefiro não usar a desculpa do “potencial” e evitar o racismo. Muçulmanos também podem ser considerados terroristas porque uma minoria é? Acho que não, pelo menos eu penso assim, não sei quanto a você.
        E quanto ao seu medo pela sua integridade física, um homem tem muito mais chance de ser assassinado. Você tem muito mais chance de estar viva do que eu. As coisas parecem diferentes quando se vê a estatística e se esquece um pouco a ideologia.

        • De onde vc tirou o termo “duplipensar”? Se foi do George Orwell, tá usando de maneira equivocada… Tenta entender uma coisa – dados e estatísticas mostram como uma sociedade costuma se comportar com relação a minorias. Isso não diz NADA sobre o seu comportamento individual, mas como o corpo social costuma se portar diante delas. O que eu não entendo mesmo é como o seu comportamento individual pode ser tão importante ao ponto de você acusar alguém em seu foro íntimo sem mostrar argumento algum.

          • Daniela

            ❤❤❤❤❤

          • Ramon Amoedo

            Duplipensar é o ato de você aceitar duas crenças contraditórias como corretas. Ela pode aceitar que todo homem é um estuprador em potencial e justificar sua repulsa, mas ao mesmo tempo não extende essa “precaução” a outros grupos estatisticamente mais perigosos. E quem acusou alguém no seu foro íntimo foi ela, não sei se percebeu,mas quem veio me chamando de abusador meramente porque não quero aceitar o preconceito dela foi ela

          • Definiu certinho (wikipedia?), mas exemplificou errado. Duplipensar é aceitação de duas mensagens contrárias acerca do mesmo tema enviadas pelo mesmo emissor. Em “1984”, Orwell mostra isso acerca do preço do chocolate que aumentara e, no dia do aumento, a rádio pública afirma claramente que o preço do chocolate diminuíra e as pessoas deveriam dar um viva ao Estado. Naquela realidade quem aumenta o preço é o Estado, quem comanda a comunicação é o Estado. As pessoas podem ou não aceitar, mas aceitam porque não há discursos que mostram o contrário.

            Mudando o assunto e continuando a resposta – foi você quem assumiu as vestes de potencial estuprador ao acusá-la: “Texto bonitinho vindo de quem defende que todo homem é um estuprador em potencial”. Ao afirmar isso de maneira gratuita e sem o menor pudor, vc aceitou a violência argumentativa como base para a defesa da não violência do gênero masculino (isso sim é um caso de duplipensar, entende?).

            Além disso, vira e mexe, você mostra que não percebe que POTENCIAL nada mais é do que uma possibilidade. Algo que pode acontecer e, pasmém, acontece! Por exemplo, Padres não deveriam estuprar menores, mas estupram. A culpa é da Igreja Católica? Não, mas quando a Igreja passa panos quentes, ela assume, em parte a culpa? Cabe uma análise séria aí…

            A Dani está apoiada em fatos, dados e relatórios que (olha isso) são publicados também por HOMENS que aceitam a possibilidade de serem estupradores e, é claro, lutarão contra isso pela vida inteira. Até o momento tudo o que vi é a falta de seus argumentos. Onde estão as estatísticas (TEXTO, PESQUISA – vídeo do youtube não vale pois não tem a menor base acadêmica) que você acabou de falar. As da Dani estão no site da ONU e em qualquer Grupo de Pesquisa sobre violência de gênero (não confunda com feminismo…).

            Então, continuo com a pergunta lá de baixo – cadê o seu currículo que pode garantir, ao menos, uma pesquisa (pode ser TCC) sobre o assunto? Quais são os teóricos em que você se baseia (Olavo de Carvalho e Nando Moura?)?

          • Ramon Amoedo

            Deixa eu dar um exemplo um pouquinho diferente pra você ver se aceita (como vai ser contra a sua ideologia você vai recusar como bom estudioso das “ciências” sociais). Negros estão estatisticamente mais associados a criminalidade, vou associar isso a eles serem “criminosos em potencial”? Óbvio que não, vai ser apenas uma desculpa meia boca pra justificar uma aversão. Esse é o problema dela, ela nega, mas tem aversão a homem sim. E não adianta dizer que não é isso porque tem marido há 20 anos e amigos homens, porque é o MESMO que dar a velha desculpa de “eu tenho amigos negros/gays e então não sou racista/homofóbico. Honestamente, quando vocês tem uma ideologia, vão se agarrar a ela não importa o que aconteça. Quando não se tem um lastro de realidade como nas ciências naturais, é como tentar convencer o papa que deus não existe.

          • Negros estão estatisticamente mais associados à criminalidade onde? De onde vc tirou essa estatística?

            Entenda uma coisa – vc precisa realmente ler os artigos em que existe a “acusação” de que um homem seria um “estuprador em potencial”. Aí, a gente pode começar a conversar. Se você quer saber qual é a minha propensão ideológica, pergunte… Já é a segunda vez que está a pagar de ridículo afirmando coisas que mostram o quanto você quer que eu aceite algo, mas não questione esse algo.

            Bonitão, a Dani usou a SUA LÓGICA CONTRA VOCÊ. Você justificou sua não potencial violência dando casos pessoais, ela fez o mesmo. Até aí isso se chama igualdade nos argumentos. Porém, igualdade é algo que se entende como quer, né?

            Qual seria a realidade das ciências naturais? Se é produzido pelo homem e visto pelo homem, há um problema que merece discussão e, da mesma, pode ou não nascer maior conhecimento…

            Já leu Santo Agostinho?!

    • Daniela

      Outra coisa, prova de que compreendo bem as implicações da palavra POTENCIAL é que entre meus amigos próximos, grande parte é de homens. Entre minhas principais referências, homens. Mantenho relacionamento com o mesmo homem há mais de 20 anos e garanto a você que todos eles, pessoas incríveis, acompanham meus textos e posts e não têm nenhum problema com o que escrevo porque sabem muito bem o que significa ser um potencial estuprador. Não só isso, não se importam com generalizações porque são homens tão seguros, que sabem que generalizações não os contemplam, pois não se identificam com abusadores de forma alguma.
      Já os caras que se incomodam tanto, apenas atestam publicamente o quanto se identificam em algum nível com homens capazes de abusar de mulheres.
      Bom, você deixou bem claro com qual deles se identifica. Parabéns! Fica mais fácil saber de quem não me aproximar e recomendar às amigas que façam o mesmo.

      • Ramon Amoedo

        Perfeito, discorda de mim então é um abusador. Duplipensar interessante desde que aplicado ao grupo que você queira e é tão incrivelmente arrogante que parte pro ad hominem quando sua lógica incrível e imaculada é discutida. Não, não me venha com essa conversa de que eu tenho que aturar a sua generalização porque isso é ofensivo. Eu não sou nenhum abusador, apesar de ter discordado de vossa alteza, e não quero ninguém com medo de mim na rua, não quero que tenham medo de que deixem crianças aos meus cuidados (sim, a sua generalização é nociva sim).
        Se seu super homão da porra que te aturou por 20 anos apesar de você odiar ele acha que é tão seguro assim, espero que não acabe sofrendo muito se começar a sofrer com o preconceito. Eu trabalho com pediatria e já ouvi de mães que não iriam num pediatra homem porque não querem seus filhos expostos.
        Esse seu ódio, apesar de achar que é inócuo não é. Então te desejo paz de espírito e maturidade (que você não tem) pra entender que nem todo mundo que discorda de você é Hitler.

        • Daniela

          Certo, Ramon. Faz o seguinte, compartilha com a gente a técnica pra descobrir que vc e todos os outros caras não são abusadores quando grande parte não tem nenhum antecedente que indique que o cara irá nos agredir. Me explica como uma mulher pode não temer um homem, quando ginecologistas, namorados, padrastos, vizinhos, parentes estão entre os abusadores. Se preocupar com generalização é privilégio de quem não sai na rua ou entra em um elevador com medo de ter seu corpo violado. Se se incomoda tanto com a generalização, está entregando quem em algum nível se enxerga em meu discurso, porque como eu disse, convivo com muito homens que estão cagando pra generalização, porque são seguros. Enquanto vc se preocupa com meu discurso, milhares de mulheres no mundo se preocupam se devem ou não sair com aquele colega porque não têm como saber se o cara é abusador. Enfim, quando vc for mulher, volta aqui pra me falar sobre como se sente em relação às generalização dos homens. Até lá, vc não sabe como é viver com medo que vivemos, em constante estado de alerta. Não entendo porque discordando do que eu penso, se dá ao trabalho de vir aqui.
          Felizmente eu não odeio homens, odeio o machismo, mas enquanto pessoas como vc não conseguem entender o que significa quando dizemos que é um problema ESTRUTURAL, as coisas não mudam, porque vc sequer é capaz de reconhecer que se beneficia de uma sociedade estruturalmente machista. Uma pena!

          • Ramon Amoedo

            Você acha mesmo que está certa em seu preconceito e não tem nada que eu possa fazer para mudar isso porque o que move mesmo um preconceito é o gosto pela superioridade de quem o mantém. Dá justificativa pra sua visão de mundo e isso não vai mudar porque você não quer.
            E realmente é melhor não vir aqui e nem ter muito contato com gente que pensa como você. Perda de vocês, porque eu jamais iria achar que qualquer um vai me fazer algum mal apenas devido à sua demografia. Mas infelizmente não é o seu caso e como sei que a miséria ama compania, o que mais tem nesse seu saco de ódio? Divirta-se no seu mundinho.

          • Daniela

            Obrigada, Ramon. Você ilustrou perfeitamente o que sempre falamos sobre privilégio! Você pode se dar ao luxo de não achar nada em função da demografia, que bom. Se eu levasse apenas minha experiência pessoal em consideração, eu jamais seria feminista e não acreditaria em machismo estrutural, porque minha experiência com os homens é bem positiva, muito em função de viver em meio a uma família amorosa e amigos incríveis. Você julgue como quiser, mas eu acredito que sentir ódio deve ser algo bem corrosivo que eu costumo dispensar apenas a quem de fato me faz mal.
            É mais fácil vir aqui, falar sobre meus preconceitos, meu ódio e tentar diminuir tudo que eu digo do que reconhecer que existe razão de órgãos como a ONU realizarem ações voltadas para as mulheres. Acredite que eu sou uma pessoa raivosa, como queira. Meus amigos me acham um doce, porque cada um tem de mim a exata medida do que merece. Não se trata de concordar ou não, porque muitos dos meus amigos me fazem repensar posturas, só não tenho porque dar ouvidos a alguém que não conheço e que vem atrás de mim com pedras na mão. Vc veio aqui desmerecer meus argumentos, então, quem é que tem ódio? Não fico indo atrás de homens pra humilhar ou expor. Portanto, não, não existe nada que justifique eu concordar com um estranho que não sabe nada a meu respeito e se acha no direito de vir me dizer como agir ou pensar. Eu não sou sua amiga, então, guarde o sermão pra quem te conhece. Quanto a mim, prefiro dar ouvidos a quem de fato me conhece.