Ano 1 dos Novos 52 – Asa Noturna

Dick Grayson talvez seja o personagem mais sacaneado dos quadrinhos de super-heróis que se tem conhecimento. Mesmo com Dan Didio tentando matá-lo por anos a fio, o primeiro Robin continua vivo e passando bem. No reboot da DC, Kyle Higgins, Eddy Barrows e J.P. Mayer foram escalados para inserirem novos ares ao sidekick mais famoso do mundo.

Esse caso é especificamente difícil, pois Dick tornara-se um Batman muito interessante, mais que Jean-Paul Valley e mais do que Bruce Wayne nos últimos anos (anteriores à fase Grant Morrison). Trazê-lo ao status de Asa Noturna novamente é, em alguma medida, uma punição ao herói, mas que é rapidamente esclarecida pelos autores da história.

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O uniforme dele muda, ganhando tons de vermelho, mas a atitude, que lembra muito o Demolidor (de Frank Miller), é ressaltada na arte de Barrows. Saltos, acrobacias e muitas peripécias são vistas enquanto Dick, aquele viadinho, vai dando voltas e voltas à sombra de Batman nesse primeiro arco de histórias. As histórias, apesar de estarem à margem de Gotham, mostram como a relação entre Wayne e Grayson é problemática. Eles se evitam a todo o custo – mesmo com o passado do jovem indo bater a sua porta.

O Circo Haly – o mesmo em que os Graysons Voadores fizeram sua derradeira apresentação – está de volta a Gotham e traz consigo toda uma revisão do passado do herói. Agora, não se trata mais de restabelecer o status do herói, mas de restruturar todo o seu passado, vinculando-o à Corte das Corujas (ou que diabos seja o nome a Panini resolveu dar no Brasil).

Dick, que desde os anos 1990 passou a ser o pegador-mór da DC Comics, continua aprontando das suas, pois, além de parecer ter um tiricotico com a Batgirl, pega mais duas em seu primeiro ano nos Novos 52. Apesar desse esforço, é difícil para a mentalidade média do mundo inteiro esquecer a acusação de Fredric Wertham e as piadocas subsequentes. De qualquer forma, Grayson continua mostrando-se um hábil conquistador de mulheres (quase um Catra dos quadrinhos).

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A relação com a origem do Robin se torna ainda mais estreita nesse primeiro ano. Talvez a maior delas é que o pequeno Dick (piadas à vontade) tornou-se o dono do circo. Outro ponto à favor da dupla foi a criação da personagem Saiko, uma espécie de Nêmesis para o herói – este último também relacionado à Corte das Corujas o que, por sinal, mostrou um grande aproveitamento de Higgins da trama principal do universo do Morcego.

Algo muito agradável, e bem diferente, que ocorreu com este título dos Novos 52, foi a regularidade de Barrows nos desenhos. São poucas as edições em que o desenhista, que cada vez mais parece chegar a uma maturidade estética, não é o artista responsável pelas maravilhosas cenas de aventura e de calmaria nas edições de Asa Noturna. A chegada de Paulo Siqueira, a partir da edição 5, tornou a revista ainda mais interessante, rivalizando com a segunda equipe de arte-finalistas – Ruy José e Eber Ferreira. Rivais amistosos, é claro! Rod Reis com ótimas escolhas nas cores – por exemplo, os tons levemente pastéis para recordatórios – tornaram essa uma das melhores publicações dos Novos 52 na opinião desse humilde escriba.

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Após a participação de Dick – aquele viadinho – na saga A noite das Corujas, Higgins faz uma severa crítica à própria saga. Creio que ele não gostou do fato de ter de fazer adaptações no seu desenvolvimento da trama em prol de parentescos estranhos e habilidades de batalha questionáveis. Seu próximo arco mostra uma versão mais ridícula de uma organização secreta que tenta tomar o poder de Gotham. Ao derrotar o verdadeiro filho de Gotham, o autor chega à conclusão de que Asa Noturna e Gotham são um problema, pois não conseguem viver juntos sem a intrusão editorial. Antes de poder fazer qualquer coisa, porém, Higgins chega à edição zero (comentada aqui) e dá lugar ao veterano Tom DeFalco. A edição vista dentro do contexto geral dos Novos 52 é vergonhosa, pois ignora tudo aquilo que foi arduamente trabalhado por Higgins e mostra uma versão sutilmente diversa do ex-Menino Prodígio…

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Isso, porém, é papo para o segundo ano dos Novos 52. Na próxima semana, falaremos de Aves de Rapina para ver se a mulherada sobrevive sem uma certa aleijada…

Para mais Ano 1 dos Novos 52

Action Comics

A fúria de Nuclear

All-Star Western

Aquaman

Arqueiro Verde

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